Abstract
1 min readA questão de como a subjectividade humana responde à vida urbana foi tão central para os pais fundadores da sociologia quanto o é hoje ainda para nós. A tese de Simmel de que a vida urbana confronta o indivíduo com uma complexidade sem precedentes e em constante mudança, uma espécie de sobrecarga cognitiva e sensorial, que se reflecte no facto de cada indivíduo se conceber a si próprio como múltiplo, parece retratar, talvez até com uma acrescida acuidade, as megacidades dos nossos dias, a exemplo da Berlim do início do século XX que inspirou tal tese. Tal como Simmel explica, «a fundação psicológica, sobre a qual a individualidade metropolitana é erigida, é a intensificação da vida emocional decorrente do efeito continuado e subtil de estímulos internos e externos» (Simmel 1950 [1903], 409). Isto é uma espécie tipicamente urbana de «desassossego» inquiridor, que expande a capacidade humana para a auto-reinvenção.
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