Por meio de testemunhos e de documentos de arquivo, proponho uma reconstituição das condições em virtude das quais Bourdieu recebeu, em 1993, a medalha de ouro do Centre National de la Recherche Scientifique, a mais alta distinção científica na França, em reconhecimento ao estudo sobre a situação existencial e as armadilhas institucionais da consagração acadêmica. O discurso proferido por Bourdieu na ocasião e a cerimônia na qual foi lido apresentam um triplo interesse para a história e para a sociologia da sociologia. Ilustram como uma personalidade formada pela disciplina viveu, refletiu e transitou pelas conexões entre a ciência, a autoridade e o poder. Marcam 1993 como o ano chave na evolução intelectual de Bourdieu, quando uma nova agenda de pesquisa traz para o primeiro plano o Estado como um poder simbólico primordial. Ajudam a explicar por que na década de 1990 Bourdieu se aventura de forma tão direta no debate cívico. A aceitação ambivalente desse prêmio por Bourdieu ilustra igualmente sua concepção da "Realpolitik da razão" e coloca um fim ao eclipse de Durkheim ao restaurar à Sociologia seu lugar de direito no zênite científico de seu país natal.
Duarte N. Guerreiro, Andreia I. Pimenta, Amílcar L. António, Isabel Cristina Fernandes Rodrigues Ferreira, Pedro M.P. Santos, António F. O. Falcao, F.M.A. Margaça, Sandra Cabo Verde
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